Pra começar eu não sei se há alguém me ouvindo, ou me observando. Sinto até que falo comigo, porque não percebo nada material, e sim um pouco de luz, e neste exato instante o que vejo é um escuro enfeitado com pequenos brilhos de luz que alternam entre verde e azul, igual a qualquer coisa sincronizada que obedeça a um padrão dual de cores. Vou considerar que em algum lugar, ocorre um meio de compartilhamento deste pensamento. Recordo me que comunicação é um ato belo porque se trata do dividir ideias entre pessoas, é como dizem "Compartilhar conhecimento é o mesmo que disseminar desenvolvimento". Engraçado, pois minha memória oscila entre incerteza e certeza, irei optar pelo guia da sensação certeza ao invés da dúvida. Cada vez mais que penso, me vem socos e explosões de insights nas quais, algumas conclusões são tão absurdas que não demora menos de segundos para elas se dissipar na mente, utópicas, tão utópicas a ponto de tornar impossível no campo mental, ou além do mental. Possuo o estranho sentimento de perdido o algo em algumas ocasiões, na mesma proporção recebo informações novas no vazio cujo me encontro. Tudo desconfortável nos mais variados aspectos. Farei um esforço para recapitular como vim parar aqui. Penso, penso e quanto mais tento, mais me distancio de um raciocínio coerente, ou do sutil e incomum sentimento desprovido de dúvida. Não tenho memória, desculpa eu não tenho memória, como cheguei no nesta nada? Não saberei lhe responder. Imediatamente vejo um manifestar, os flashes de luzes estão sumindo, o escuro está abrindo vaga para um iluminar, me tornando acessível uma imagem mais clara. Despertei em mim, sensações, órgãos batendo, veias pulsando de cima pra baixo, ouvia forte e repetitivas, iguais a tambores. Acabo por conseguir mexer e sentir o tudo, não só parece como é, acabo de adquiri um corpo. Encarei mãos, pés, e todas as partes possíveis pra meu olhar, hipnotizei por um tempo. Pareceu uma eternidade assim que volto a realidade e despejo total atenção aos arredores, bacana. Vejo uma vista para um longo campo gramado e plano, enfeitada por uma árvore de dimensão colossal, concluo que é assim que as formigas veem os homens, adquiro uma identidade com as mesmas agora. Numa rápida auto avaliação de meu corpo, sou franzino e as partes mais musculosas do corpo são as coxas, se eu não precisar lutar ou algo do tipo, me encontro seguro. Eis então uma mesa e um pequeno diário assim que viro de costas, subiu um arrepio por toda minha estatura. Então senti-me magnetizado, conscientemente sóbrio estava eu na situação, todavia senti um algo, inexplicável, um algo que apenas me fez sem hesitar avançar pra mesa, um algo que dificilmente a compreensão por vias dedutivas baseado nos estímulos sensoriais poderiam explicar.
" - Dia 02/06/2014" - Li na primeira linha -
Antes que eu pudesse terminar de ler, surgia pra minha surpresa, manifestou no chão tremores. Pareceu efeito dominó, primeiro terremotos que inevitavelmente me fizeram cair, em seguida o Sol tornou-se mais reluzente, com muito dificuldade, só que com sucesso virando o rosto pra última visão na árvore. Vi agora que tornou-se menor do que antes, pois a causa dos tremores, era justamente aquele colossal ser da natureza. Algo a puxava pro chão com uma força violenta. Quanto mais descia pro subsolo, mais caótica a situação. Foi então que perdi a visão, a luminosidade expandiu, a ponto que minhas pálpebras já não podiam mais me dar o luxo de ficarem pouco abertas, por conseguinte fechei os olhos. Segundos se passaram, e aos poucos fui recuperando a sensação de conforto novamente, pouco a pouco, ia abrindo os olhos, notando e ficando aliviado de ver que aquela forte luz solar havia acabado. Vi um teto de uma casa pela primeira vez, ou segunda vez? Não sei, irei me levantar.
Me levantei, e eu acabava de acordar num cama de madeira, espera um pouco, eu não sinto meu corpo. Estou me movendo contra minha vontade?... Na realidade, eu era espírito?!! A moça a propósito que o espelho refletia era loura, olhos azuis, e traços tipicamente nórdicos, e vestimentas iguais aquelas moças da oktberfest, não sei como, só veio na mente. De corpo próprio, me encontro na visão dela, eu estava presa nela?!! Que situação é essa?! Vamos forçar... Mais bizarro desta situação é que a moça não sentiu nada, eu pelo contrário fui me exprimindo, senti-me sufocado, como se alguém tentasse me matar por asfixia. Finalmente consegui, aliviado fiquei. Alguma manifestação por parte dela,se eu estou colada nela, devia ocorrer, né? Só que no espelho, uma forma azul, partindo do pescoço, e ultrapassando a cabeça, aparece, acho que sou eu. É, sou eu. Analisando com mais liberdade esse quarto só tem uma cama, uma escrivaninha, chão de madeira gritando por socorro, ele precisava ser varrido. Conclusão, acabei de virar um espírito dentro de outro ser, angustiante a um nivel absurdo, seja de sentir ou pensar. Agora estou sendo puxando por ela. Não há nada que eu não posso fazer, a não ser observar. De repente ouço um “guten Tag”, bom dia em alemão após passar por um pequeno corredor e descer as escadas.
Entendi meias palavras depois dessa, uma senhora apareceu e despejou beijos na bochecha da garota. A mulher era idêntica a moça do corpo no qual me prendia, vestia até mesmo estilo da roupa, só que feitas de tecido roxo, e a saia cobrindo toda as pernas. Daí eu tive que fazer um grande esforço pra interpretar muito as leituras labiais e colocar minha mente em uma grande ginástica mental e de caça palavras do dialogo alemão, porque de alguma maneira, eu tenho e sinto que posso entender, mas no momento me parece difícil. O andar de baixo era dividido em uma entrada escura na ala esquerda, na outra, era de certo a cozinha porque dava pra ver uma parte da mesa e umas cadeiras. A minha hospedeira precisa de um nome, afim de evitar confusões, vou chama-la de Erika, afinal é o primeiro nome pelo qual me remete a coisas referentes aos germânicos, e pelo visto, é óbvio que estamos em um lugar assim. Ela agora se dirigiu pro lado esquerdo, adentrando na ala escura e pegando um balde, em seguida foi para a porta, abriu e saiu. Depois das imagens ficarem mais nítidas seguido de um clarão. Conclui que os caras moravam na roça, um enorme campo gramado que de tão extenso parecia infinito, havia uma estrada de lama, algo que despertou meu interesse á primeira vista. Ao redor, cercados com porcos, vacas, um estábulo pra cavalos. Erika foi rumo em direção a uma poça de água, colocou o balde na corda então pegou a água. Tarefa manual bem simples, saiu e retornou de volta para casa. Deixando o balde no canto da entrada. Ouvi mais gritos da mulher que presumo ser a mãe, nisso, a jovem fez pouco caso e se direcionou novamente para fora. Espontânea, livre, feliz mais do que qualquer coisa. Puxado pela mesma, rumo ao horizonte lá foi. Não identifiquei razão pra isso, acho que vai ao encontro de alguém, então me resta ver onde iríamos. Passando por bosques, rios e lugares nos quais me fez julgar se essa garota tinha se perdido, paramos em um rio. Ao redor nada mudava, a não ser que havia um tronco de uma árvore velha, assustadoramente grande em volume. O tronco foi usado como banco, segundos após sentar-se, sua atenção foi voltada pro lado direito, pois um garoto soltou um assovio. Media de 1,73 ou mais, a primeira coisa que reparei foi as botas de couro, vestia uma calça de lã marrom completando com uma blusa branca acompanhado por um paletó. Mais uma vez eu tive de que colocar o raciocínio na correria pra compreensão da troca de palavras do casal. Eles se beijaram, provavelmente jovens apaixonados, e iniciaram um dialogo que deduzo ser o mais meloso possível pelas faces abobalhadas que o sentimento de paixão pode gerar nas pessoas. Sentados juntos, discutiram. Então o rosto do moço mudou de feliz e abestado, convertendo em uma tempestade. A discussão adquiriu uma energia mais colérica, Erika demonstrou insatisfação, não precisei tentar traduzir ao mirar nela. Foi então, um som de impacto ecoou, forte e totalmente claro. Naquele instante, triste, correu chorando de volta retrocedendo o percurso de ida. A fitei, então quando olhei para trás, vi um outro homem, mais velho, ele bateu palmas, agora falando pro mais jovem em tom de desaprovação, e certamente sendo alguma figura paterno o obrigando a retornar com ele. Chegamos no lar, Erika ia ignorando totalmente as chamadas da mãe, que a propósito pareciam mais gritos, só que língua alemã é assim mesmo, é árduo acostumar. Enquanto subia as escadas, foi aos poucos, até finalmente engolir o choro, e deixar de pensar sobre o agora. Foi ao quarto, e trocou apenas os calçados pra algo mais formal. Desceu, saindo mais vez pra porta. Já fora, uma carroça a espera, simplesmente subiu nela e assim seguimos viagem. Não vale apena mencionar todo o percurso, depois de uma hora, presumo por ser uma estrada toda de barro, chegamos a cidade. Típica cidade medieval. Muito movimentada, pessoas cá e ali, comerciantes gritando e falando alto podiam serem ouvidos e até olhado de canto. Erika desceu, cumprimentou o piloto após pagá-lo com um saquinho moedas, provavelmente. Caminhando, nós passamos por inúmeras pessoas, e eu sem escolha, magnetizado e forçado por uma grande energia magnética nela. Vale ressaltar que eu estava até bem mais perceptível do que eu costumava ou costumo, eu não sei, é um estranho sentimento de elevação no qual pra mim é difícil transcrever em palavras. Daí que vi alguns caras atrás de nós assim que mirei pra retaguarda. Seus rostos ostentava malícia nos olhares, altos e de aparência meio bárbara, andando junto, até que finalmente sumiram em meio a uma multidão que dividia uma rua. Conclui que fosse meu dever avisá-la, a pergunta que fica é como. Foquei meu olhar pra adiante, e mais uma vez vamos pra uma construção colossal, a arquitetura lembrava a de uma igreja, estando frente a nós. Um senhor saiu quando a porta se abriu, pelas vestimentas peculiares, chamativas, e até andava com um livro grande e grosso, suponho que deva ser alguém importante.
Mais um dialogo quase indecifrável, a não se por uma ou duas palavras. Algo me cutucou sobre esse cara, me parece tão suspeito quanto os homens anteriores. Enfim, adentramos no local. O Ambiente me surpreendeu, inúmeros bancos enfileirados, com um longo tapete vermelho pelo qual levava diretamente pra uma grande cruz com um homem nu, marcado por um líquido, e pregado no meio, a aparência dele está definitivamente bem acabada, isso é um de sadismo tremendo, no entanto, familiar essa figura, ao menos é que algo me faz acreditar. Cada vez mais que Erika marchava em direção a estátua, hipnotizado eu fiquei na figura. A mulher nos guiou pro fim, não pude perceber nada, apenas ouvir o bater da porta atrás. Quando mirei a atenção pra retaguarda, não vi corpo algum, apenas a leve desconfiança surgiu, evoluindo gradualmente para o perigo. Andando por um pequeno corredor, nós adentramos a uma sala que havia uma mesa, e várias estantes cheias de livros. E com uma caixa na mesa, caixa essa que revelaria uma riqueza de cartas, datadas, e novas, muitas mais tarde se revelando bem recentes. Então Erika apenas sentou-se, começando a abrir e ler uma por uma. As cartas variavam de desaparecimentos de pessoas, confissões de crimes cometidos, arrependimentos, sentimentos amargos, inveja, irá e um dos mais pesados pelos quais foi o que mais tocou, despedida do mundo, logo após um discurso totalmente idealista sobre o que poderiam fazer se tivessem a oportunidade de fazer e acessar gamas de possibilidades nas quais sempre foram privadas, assim como uma outra falava sobre a falta de um fim que justificava a própria vida. Quanto mais informações eu absorvia, mais e mais eu comecei a compreender o mundo, pelo menos aquele. O entendimento era desde matemática básica até a moral daquela sociedade no momento, provavelmente uma pessoa normal explodiria, já que o que eu sinto é um forçado impacto, seguido de guela abaixo a absorção desses conhecimentos, horríveis ou não. Na direita, a parede, um quadro que representava o nascimento de Vênus. Eis que a percepção me atingiu como um soco no estômago, consciente, vi no relógio que passou-se 8 horas. Foi então que barulhos estrondosos começaram a manifestar-se fora da sala, sons pesados de botas batendo nos chãos de madeira. A moça assim como eu, ficou em alerta, primeiro pela surpresa do tempo, seguido de que pela janela, já estava á noite. Ela se petrificou por alguns segundos. Recuperada a consciência, se deslocou pra fora, abrindo a porta com muito cuidado.
Vagorosamente a mulher se aproximava da porta, foi ai que notei um ritmo acelerado em seus batimentos. Levando a destra de encontro com a maçaneta, esperando entorno de dois segundos, abriu depois de pensar. Foi então que ao sair, despejou um alívio, igual como acabasse de se livrar de pesos. O estado do ambiente no momento era escuro, por um lado, a saída pro salão de reza e no outro, o gigante corredor, tornando-se infinito e mais assombroso. Erika agiu, voltando pra sala e em seguida sacando de um dos armários uma caixa de fósforos, e acendeu. Tendo um pouco de luz, seguimos para a exploração do salão de reza. Enorme e medonho, de lugar santificado e de harmonia, agora virou sombrio e imprevisível. A cada passo dado, o som do bater dos calçados gritavam, de início ficou bem hesitante quanto a voltar. Naquele estado, ela estava em um duelo contra sí, o ceticismo e um otimismo de que tudo iria ficar bem versus a capacidade que o medo tem de transformar pequenas situações em grandes catástrofes. Ela despejava um "vai ficar tudo bem", então foi dai que me chamou atenção, elevou-se minha compreensão ao que ela dizia, fico feliz. Terminado a caminhada do outro lado, infelizmente o medo dela não errou, quando parou de andar, os barulhos das tábuas ainda não pararam. Virei para a retaguarda, e então surgiu a figura alta e bruta de um homem, era o mesmo no qual nos perseguia anteriormente. A garota nem teve tempo de vê-lo, apenas acabava por cair dura no chão depois do mesmo dar uma porrada na cabeça. Cai bruscamente, o corpo dela me puxou igual a lei da gravidade fez com ela. De repente, tudo o que eu via, borrava, não apaguei, ficou escuro, mais escuro do que a sala. No entanto, pude ouvir conversas de mais pessoas, vozes masculinas, que iniciaram um breve diálogo sobre furtar a igreja, quando Erika acabava por ser o alvo das conversas, a mesma terminou com risos maliciosos. Quem estava contando, não sei, todavia ela assim como eu, despertava. A primeira coisa mais espantosa que ambos notaram, a garota foi despida. Suas roupas espalhadas no chão, incluindo as intimas. Tanto a minha quanto a reação da mulher foi de profundo sentimento de que algo tirada de nós, se intensificaria ainda mais quando direcionada pra pegar pegar a calcinha, o tato dela foi de encontro com um líquido meio viscoso. O semblante soltou lágrimas, não gritou, não expôs reação, chorou silenciosamente, tal como fizeram um ato brusco, rude e moralmente condenável com ela em silêncio. Reunindo todas as forças, limpou-se, pegando cada peça de roupa e se vestindo, o relógio na parede marcava três e meia da madrugada. Nisso foi pro salão de reza dormir em algum dos bancos.
Fiquei acordado o resto da noite inteira, o ambiente já não demonstrava nenhuma vibração, era pra eu estar tão indiferente quanto ele, só que o fato é que a Erika foi vítima de um ato bárbaro e cruel, o pior deles. O tempo passou e nem notei, e mesmo que nota-se não ia fazer a diferença, o tempo não espera, somente avança. O Sol ao nascer, ultrapassava as janelas do salão, refletindo diretamente no rosto da jovem que por conseguinte, despertaria por incomodo da luz. A porta se abriu em seguida, lá estava o padre. Surpreso tanto ela quanto ele foram de encontro. Abriram um leve dialogo no qual, o velho a questionaria com perguntas bem básicas, a primeira sendo o porquê dela estar ali. As respostas da loura foram as mais esquivas e curtas, e antes que o dialogo continua-se, fugiu dali. Pegando a primeira carroça da cidade, voltava pra casa. Retornando, escapou de perguntas de sua mãe, simplesmente subimos assim que chegamos, e a forte batida da porta pode ser ouvida. Infelizmente o que veio a seguir foi uma cena que acertou em cheio a mim, ou a algo mais intrínseco. Ela jogou-se na cama, chorando no travesseiro. Isso doeu, passei horas e horas, tivemos de lidar as vezes com a preocupação da mãe, percebo neste instante que a tal perdia sua essência. Depois de horas, já descarregado todo seu sentimento, desceu pra cozinha, fome presumo. Na sala principal, dois cavalheiros trajados em armaduras, discutiam com a mãe dela. Eis novamente um questionário de simples perguntas, nas quais pareciam lâminas contra a honra da moça. As autoridades depois de um tempo saíram, então surgiu o pior de toda a situação, a explosão colérica da mãe. Agora eu entendia o diálogo, e aquilo fez em um ponto onde os sentimentos de ambas elevaram-se. Minha hospedeira em fúria, despejou toda a verdade, em um nível de tristeza misturada com melancolia. Fitei a mãe dela por uns segundos, pior foi o desabafo. Quando terminado o relato, um tapa estralou na bochecha direita dela, assim o silêncio dominando o ambiente. As duas se olharam, a menina apenas correu pro quarto, e obrigatoriamente eu fui junto. Partindo pra escrivaninha, pegou a pena, a tintou e iniciou toda uma carta a Karl, o namorado. As pressas fomos pra cidade, depois de esperar uma carroça.
Finalmente na cidade, a diferença da vez é a de que abalada a moça se encontrava, por isso pareceu rude com o piloto na hora de pagar. Andamos, andamos, até conseguirmos ouvir primeiros sussurros nos quais citava o nome de Erika, outros a referiam como "moça da biblioteca da igreja". Infelizmente não eram citações positivas, eram o contrário. Não sei se ela ouviu, contundo eu sim, ouvi coisas como; "Fez orgia antes de roubar", "pagava de santa, só que é a maior satanista daqui'', "vadia, ladrona e ainda mexe com feitiçaria, credo". Pude sentir o batimento cardíaco da mesma acelerar freneticamente, tanto que acelerou o passo afim de sair dos venenosos julgamentos. Adentro na primeira ala direita, perto de uma feira, e terminou em um lugar onde cartas eram enviadas. No mais, teve de lidar com os olhares e preconceitos a seu respeito, dali foi até a igreja. Antes que pudesemos entrar, o padre surgiu. Iniciou-se uma conversação, e toda a conclusão era a de que a loura foi demitida, ainda acusada de roubo, fora crimes contra a moral. Isto não só pesou nela, como a mim, vibrei de uma maneira negativa no presente momento, na realidade já estava em vibrações ao ver determinados acontecimentos, esse último foi o pior que conseguiu claramente uma manifestação brava. Acabada emocionalmente, lutando e tentando negar, vasculhamos diversas áreas da cidade, nenhuma, incluindo os comércios que necessitavam de mais empregados a aceitaram. Nada era o que podia fazer, assim voltou pra casa depois de uma outra viagem de carroça. E lá foi se levando os mesmos acontecimentos de hoje, buscas e mais buscas, ouvindo negações acompanhado de críticas as costas. Único momento em que achou que poderia recuperar o ânimo, assim como eu também, havia sido da carta recebida de Karl. Karl simplesmente terminou o namoro ali, não a atacou, todavia o conteúdo era claro, desconfiado terminou o namoro, algo suficiente que a fez definitivamente crer que perdeu tudo. Noites de choro, dias sem sair de casa, eu pessoalmente enjoei, até que ela tomou alguma atitude. Foi pra escrivaninha e soltou um poema no papel;
" A árvore sem raiz é nada, nem existe,
A árvore só cresce por ter raiz,
''Ninguém é nada, só crescem, isso é o viver
"individuo que perde suas raízes, então morrerá,
"Perdi aquilo e aqueles que considerei raízes, então morri".
Erika depois deixou o papel, fomos até pra fora. Não corria, não esboçava a mesma alegria como foi o antes, andamos e andamos, chegando em um penhasco, suspeitei. Por fim ela se virou, e um pressentimento tocou, quando dei conta, minha visão se distanciava do céu, e a última coisa que ouvi foi um crânio batendo no chão. Pouco a pouco, tudo que via tornava-se borrado, até que finalmente um escuro prevaleceu. Acordei, quando me dei conta, eu me via no mesmo ambiente da grande árvore. Na minha mão direita o diário, que agora, ganhava letras embaralhadas no centro, se agitavam e iam montando uma palavra que por sua vez, montava a frase e da frase se tinha a ideia, e o que li era;
"- Queria ser mulher para ter vida fácil".
Assim como o protagonista no início, não encontro palavras pra definir o que eu sinto com esse conto
ResponderExcluirFOI UMA MISTURA DE MUITAS EMOÇÕES EM POUCAS PÁGINAS
Mudanças drásticas de cenários ou situações , todas bem estruturadas e melhor
ESCRITAS DE UMA MANEIRA INCRÍVEL
Gostei muito das palavras usadas, deu pra ter uma imersão absurda ,mesmo quando se tratava de coisas mais abstratas, sensações, descrevia tão bem elas que uma imagem ficava nítida na mente
agora, sobre a história e o tema
Eu achei bem diferente, não tinha lido coisa parecida
É uma grande viagem,literalmente, com um mistério absurdo, abordou temas muito interessantes com críticas sociais bem intensas, sem forçar
A situação da mulher nessa época é mt bem detalhada e narrada,
Seu conhecimento histórico é uma coisa que da pra explorar muito, não ficou cansativa a narração em nenhum momento,
Por fim, as reflexões e algumas das frases que você colocou foram perfeitas para a situação
Continue publicando/escrevendo, essa historia parece ter um futuro absurdo
Muito bom!
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