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De hedeonista para incel, de homem para demônio

 





                                Acabei de voltar pro lugar de onde eu saí, ainda estou a processar aquelas imagens, tão vívidas e assustadoramente reais. Pensei, pensei tanto que ao retornar a atenção para os arredores, vejo o motivo de toda essa confusão, o diário na minha mão. Sento-me na cadeira, logo sinto uma fadiga mental me abraçar, pois inicia um conflito com a curiosidade que brota, afinal, que mundo é esse, afinal que mundos posso ir apenas pela leitura? Pior, especificamente, me vem a memória de ter escrito isso de algum lugar. Não a imagem, e sim o sentimento carregado de melancolia e raiva na hora que transcrevi essa infeliz frase. Um insight me acerta neste exato momento, e se por acaso, eu estiver no purgatório? É, faz total sentindo, já que aparentemente isso foi uma lição pra me mostrar o quão errado eu estava. Mil e um medos manifestam-se por calafrios, Deus, diabo, ou qualquer divindade que seja, está me testando? Estou sendo um experimento ou entretenimento deles? Assustado, reativamente jogo o caderno no chão, e assim ele ao cair, caiu aberto para as próximas folhas. O calafrio cessou nesse instante, e então, o magnetismo me cobriu igual um cobertor. Não só adquiri a sensação de ler, como a segurança de que iria ser melhor, mesmo duvidando, o meu lado cético e covarde não foram astutos o suficiente para contra argumentar e me fazer não seguir a curiosidade. Abaixo-me, levando a destra, assim o pegando. Bati o olho na primeira linha, e as seguintes escritas me fizeram arrepender de não seguir ao medo;


 “ –  Imagino que eu seria uma pessoa melhor se fosse rico.


E assim, terminado de ler a frase, acontecia de novo. Minha visão parecia um efeito de edição de imagem, na qual o filtro ficava escuro a cada segundo passado. Espera, como eu sei o que é filtro e editor? Congelei mentalmente por um breve momento, até que de repente, acordo em uma cama. Não só a mim, como meu corpo encontrava-se totalmente acelerado e ansioso, parece até que a vida passou diante dos meus olhos, eu enfrentei e estou enfrentando a morte?...
Quando eu terminei de processar tais pensamentos, me mexi contra minha vontade. Infelizmente continuo sendo um espírito, e isso é totalmente irritante. Só que desta vez, há um algo totalmente diferente da vida anterior. Ao passar pelo pequeno processo de manifestação, como se eu fosse um intestino preso. Novamente, do pescoço até a cabeça, visualizo o quarto. É mais másculo, uma cama grande e confortável, cabe duas pessoas. Uma mesa com uma tela negra, quadriculada de metal, e em baixo uma caixa preta com bolinhas coloridas, na realidade dual, vermelho e verde escuros. E na mesa, noto um espaço no meio, acho que é pra colocar alguma coisa, não sei lhe dizer. E por último, uma estante de livros, em três, uma pra livros colocados em tamanho, cor e nome do autor pelo que minha visão capta. Na direita, um enorme espelho, desta vez é um homem. Pele bronzeada, músculos rigorosamente treinados, nada exagerado, igual a estatuas gregas. Rosto de traços simétricos, a cara lembrava povos indígenas ao mesmo tempo que um pingo de genética ibérica é visível, este rapaz foi abençoado pelos melhores traços aparentemente. Primeiro de tudo, descemos as escadas depois de uma breve higiene no banheiro. Chegando a sala, o ambiente remetia muito uma estética pós moderna, comum em novelas. Quero pontuar ao leitor que algumas informações estão vindo a tona, como? Nem eu sei, apenas continuemos, por favor. Fomos direto para a cozinha, de lá ele pegou uma maça, já lançando uma mordida e saindo sem ao menos dar bom dia aos empregados nos quais pararam  a sua conversa para ficarem em prontidão. Saímos diretamente para fora, tudo o que eu via era casas grandes de arquitetura bem padronizada, mais uma vez, algo pós moderno, nada contra particularmente. Acessando a porta da garagem, adentramos. Assim que fechou a porta, a luz ligou sozinha.  Agora, estamos diante de dois carros bem caros, o distintivo que diferencia burgueses e proletariados, uma Ferrari Portofini M na cor prateada, e o segundo carro sendo um BMW. Ele sacou neste momento a chave da Ferrari, apertou um butãozinho, logo os faróis do veículo se manifestaram. Entrando no luxuoso automóvel, pegou outro controle pequeno e assim que aplicou força nos butões, o portão da garagem se abria, pouco a pouco fazendo a luz do dia tocar em tudo que era possível. Eu como espírito, sou extremamente sensível a qualquer tipo de vibração, as emocionais me afetam, só que as materiais são igualmente incômodas, a diferença que quando é emocional, consegue ser bem mais penetrável. O rugido do motor me abalou por um instante, já vi que seria duro. Por fim, saímos, indo pra esquerda, estávamos rápidos, mas ao que o marcador dizia, era pouco pro potencial de velocidade. Não demorando muito e saindo daquela rua para o primeiro acesso a Avenida, o...
Nem sei como chama-lo, não há nada na qual dê indícios de nome, mais uma vez um duro desafio de nomeclatura.



                                        Optarei por apelida-lo de Hed, foi quando noto todo o ambiente se distorcendo, não, não era a realidade de novo, só a velocidade do carro, quero logo sair daqui, pelo amor de Deus. Ultrapassando carros, despertando algumas buzinas além de deixar motoristas e pilotos de motos revoltados nos quais manifestaram seu breve ódio com uma sinfonia de buzinas. Desacelerando um tempo depois, um alívio pra mim que também poderia analisar mais o ambiente. Aquele imenso lugar, enfileirado de prédios enormes com antenas, e um céu azul meio morto na claridade pelo fato dos gases, me prendeu a atenção, foi então que ao focar meus olhares para a primeira placa na qual dava início da estrada, estávamos na Av. Paulista. Fui imediatamente desprovido de tempo para apreciar mais do cenário, o automóvel deslocou-se com tudo mais uma vez, porém desta vez ele não foi tão insano na velocidade, ou muito menos em sair ultrapassando gente. Um tempinho não muito longo, parou o carro frente a uma grande arquitetura, peculiar por ser um imenso salão que era fixado no ar por colunas em cada ponta, havia gente indo e vindo, maioria jovens, estranhos pra mim. Pois alguns possuíam estilos.. Duvidosos quanto a sua aparência. Negros, brancos, estudantes, hippies, no final uma mistureba de tribos de jovens nas quais davam na mesma; jovens. Uma moça se aproximava de nós, toda 
serelepe, adentrou no carro assim que Hed destravou. Ambos já ostentavam a ansiedade carnal, se cumprimentaram com um beijão, entrelaçando as próprias línguas, é valido até pontuar que pareciam competir entre si para ver quem aguentava mais tempo, senti o fôlego dele já pedindo tempo, e o mesmo nem ai. Um minuto, com ambos rindo e fingindo estarem bem, lá foram eles assim que Hed ligou e pisou fundo. Mais a frente, pararam, o semáforo mostrou o vermelho. Eis então a mesma competição de beijos, durou tanto tempo, mas tanto tempo que enquanto trocavam afeto, carros atrás iniciaram uma barulheira de buzinas. O casal, e por alguma razão me bate um desconforto ao usar o termo mais certeiro pra pessoas que fazem isso, a dupla levantou seus punhos quase cerrados, quase porque o dedo do meio estava a amostra. A parte ao lado do transito se moveu, então surge algus gritos, dizendo para eles que suas mães eram moças de programa. Hed e a.. Melhor esperar eles se identificarem, enfim, terminado o beijo, o carro foi-se a uma velocidade, pouco a pouco desacelerando, afinal o rapaz não era tão sem noção em uma Avenida. Loucos, dizer apaixonados me causa algum incômodo, o porquê é um mistério. A guria ao lado de Hed, possuía longos cabelos morenos, com uma franja tintada de azul, ostentando alguns adereços, tais como piercings no nariz e outras partes do corpo. Ainda nela, ela começava a tirar a blusa, e a saia, ficando de bikini na cor verde, e bem, é válido ressaltar que se eu tivesse um corpo, ficaria atirado por aqueles volumes e curvas, grandes nos peitos, e formosos nas cintura. O rapaz igualmente não ficava para trás, pelo que vi no banheiro, ele também pro sexo oposto seria bem desejado. Lá foram eles, passando por outras avenidas, túneis, estradas preenchidas por prédios nas quais tornavam infinito, quase como se fosse não acabar. São Paulo, uma Nova York latino americana. Porém a vida é assim, o malefício segue o benefício e vice versa, são casados, mesmo que uma grande parte das pessoas tente negar ou são cegas demais pelas boas imagens. Na correria, me senti bem incomodado, antes pela velocidade do veículo, agora para pessoas. Sim, não a duplinha e sim fora do carro. Minha visão se estabilizou, e até pareceu ganhar um efeito mais lento quando me deparei com as seguintes pessoas; Pretas de sujeira, roupas rasgadas, sentadas ou deitadas no meio da calçada. Seria peculiar se fosse apenas uma vez, contundo vi esses tipos de pessoas mais de uma vez, as vezes em maior ou menor número, e isso foi uma tortura, não pela movimentação do carro, sim porque a minha percepção, a visão principalmente tornava-se mais lenta, justamente pra me torturar e ver o óbvio; o sofrimento de pessoas, e chega ser bizarro. No tempo anterior, na vida passada, sim existiam pobres. O que é curioso aqui é que com tanta tecnologia nova, ainda há uma baixa qualidade de vida para muitos, e a mais elevada para poucos, dói-me nesse momento descrever isso. Com a última vista de miseráveis, Hed parou o carro frente a uma rua vasta de condomínios, mais uma vez pareciam não acabar. Na entrada do prédio um grupo, também de jovens igual ao casal, saiam, rindo. Três moças, e um rapaz. E a vibração foi ao ápice do incômodo agora, porque quando deixo de notar os arredores, vejo Hed dando um selinho no outro rapaz, e prestando atenção nas garotas, ambas as garotas beijam-se, primeiro as duas recentes, em seguida a Camila, assim referida pelas outras a moça da franja azul. Trocou beijos com as duas, uma por vez, até aquelas mulheres tentarem fazer junto. Os novos passageiros entraram no carro, detalhe pra uma das moças na qual sentou no colo do segundo rapaz ali envolvido. Agora compreendo minhas inquietações em relação a chamar de casal, tudo parece tão superficial que isso causa arrepios até mesmo para quem não é um espírito. Penso neste breve momento se seria eu, tendo incomodo por atos libidinosos de caráter homossexual ou a falsidade é tão grande que atos que advém do sentimento de amor, mútuo entre normalmente duas partes, parece um deboche. É decepcionante dizer isso, mas; É uma piada querer viver um amor no século da putaria. Esquecendo as reflexões porque se nã, eu  ia arrumar um meio de sair dali, Hed pisou fundo no acelerador. O relógio do smartphone de Camilia marcava 12:00. Essa gente tem tanto tempo livre que chega a ser ofensivo os métodos para matar o tédio. Encarando pros passageiros, eles discutiam sobre ir a um protesto, interessante, já achava que se tratava de pessoas desocupadas. Iam para um protesto em nome de um grupo chamado “LGBT”, ao menos lutam por algo, alívio, quer dizer, sinto o mesmo incômodo de sempre quando tenho certeza, lá vai provavelmente mais uma decepção que terei de assistir.  Depois de ir, passando por mais ruas e lugares diferentes, e retornando ao mesmo caminho só que de volta pelas Avenidas, chegamos á Av Paulista. Se antes estava meio agitado, agora um aglomerado de gente, fantasiada, algumas só colocaram uma ou duas coisas na cara e resto do corpo, ficando praticamente nu. Vibrações incômodas me mordem mais uma vez, sentimento no qual presumo ser igual a falsidade está a me atacar. Todos saíram do carro, juro que gostaria de nem assistir aquilo, inferno está preso a isso. Tremo mais, pior tornou-se a cada passo, pois em uma ala direita se vê gente alterada pela bebida, no outro, cometendo mais atos libidinosos, em grupo. Penso, e penso, e não é exatamente um repúdio por algo “diferente’’, não é a tal da homofobia como em diálogos feitos na minha viagem. Não precisa tomar como verdade, mas as pessoas aqui pregam tanto por liberdade, e amor a um nível de dar calafrios, que torna tudo extremamente falso. Não vale apena detalhar mais do que aqui, foram horas observando cenas que já contei, muda-se o lugar, pessoas e tal. Encerrada a tal parada gay, o grupo dos cinco tomou rumos diferentes, Camila e Hed ainda ficaram juntos, e já estavam prontos para ir para outro lugar. De sexo, a conversa deles mudou pra magia, Camila de repente falava com convicção em energias, influências negativas, isso me deu uma esperança de que talvez ela pudesse me notar, só que infelizmente tal ideia sumiu, já que a infeliz certeza me bateu quando tal insight passou. E voltaram para casa, a casa dele. Tive que lidar com mais uma vibração, eles começariam outro coito. Eis então um resumo; Sexo, sono pós sexo, uma conversa as vezes totalmente superficial, fora transmitir uma luta de egos ali. E repetiram, até um momento de solidão de Hed, e o único foi quando ele desceu do quarto até a cozinha, pelado e com o celular nas mãos. Revisava suas redes sociais, curtidas, comentários e etc. Abriu a geladeira, pegando algumas coisas ali pra matar a fome. Eis então uma notificação, um áudio do Whatssapp. Ao ligar o áudio, ele ouviu a coisa que o congelou por um tempo, o resumo da mensagem era de que a mãe que estava de viagem na Espanha, acabava por falecer uma semana atrás, e o padastro omitiu a informação, aproveitando pra mexer seus pauzinhos na justiça, conseguindo por completo tomar toda a fortuna destinada ao rapaz. Troca de mensagens agressivas iniciou-se, xingamentos, ameaças, e por mais que colérica seja a situação, o fato é que Hed não possuía mais nada. Impulsivamente, lançou o celular contra a parede. Se o mesmo fosse um espírito, certamente ia ser sentindo até pra quem não é sensitivo, o ódio. Retornando ao quarto, não teve mais sexo, não teve a mesma pegada, por mais que fosse negativo para mim, nele ainda se tinha certa vitalidade no ato, no momento em que deitou na cama, raiva e melancolia dividiam espaço na mente. Dormiram, fiquei a noite toda observando, tudo calmo. Ambos despertaram as dez da manhã, juntos no banheiro se foram, obviamente para higiene pessoal, e na maior malicia, a garota queria recomeçar o ciclo carnal. Todavia, ela notou a falta de espontaneidade dele assim como eu, o perguntou sobre. Inicialmente insistiu em dizer que se tratava de um problema trival demais pra qualquer preocupação. A garota conseguiu em poucas palavras, tocar em alguma parte de que ele podia se abrir em breve dialogo. Convencido, explicou. Quem dera eu nesta vida não sentir vibrações, infelizmente eu senti a mesma na hora da parada LGBT ao olhar pra jovem, senti uma leve sensação de piores adjetivos referentes a moral e caráter vindo dela. Algo que se confirmou, afinal ela já depois do banho, disse que não podia ficar, iria estudar quando o rapaz tentou retomar ao divertimento. Rumo pra cozinha tomar café, e direto para saída. Hed abriu a porta e despediu-se, prestes a fecha-la, um grito por seu nome nos chamou atenção. Aproximava-se um homem vestido de trajes sociais. Confirmadas as identidades de ambos, um para outro, o homem é um oficial de justiça, na qual o entregava uma intimação declarando que ele possuía 30 dias para abandonar a casa. Aquilo foi praticamente ver o barco afundando, ele pensou tanto mas tanto, que saiu da realidade por um breve momento, e totalmente sem direção, depois apenas fechou a porta. Derrotado, sentou-se no chão, encostado na parede ao lado da porta. Medo, ansiedade, coisas que qualquer individuo estará suscetível uma vez na vida, variando de situações materiais ou emocionais, uma luta contra si mesmo, onde tudo que se vê no futuro é o caos e a desgraça eterna. Só que quando pensei que ele iria desistir, o vi correndo para a cozinha, animado mais do que nunca. Se aproximou do smarthphone de tela trincada, seus dedos frenéticos começaram uma busca por contato de advgados, ou pessoas nas quais teriam contato de um bom, um ascender de esperança, não só para mim quanto ele. O que pareceu uma crescente onda de esperança, voltou a estaca zero. Os tais advogados, todos sem exceção recusaram o serviço, alguns até já diziam para o mesmo procurar um lugar na qual fosse ficar. Agora declaradamente bem isolado de todo tipo de ajuda, restou-lhe duas opções, ir atrás ou deitar-se no sofá, enquanto a tragédia o engolia pouco a pouco igual uma cobra. E a última opção ganhou. Ele marchou para a sala, e perto do sofá, caiu de cara, mais do que derrotado, morto e pedindo pelo golpe de misericórdia. Não vale apena narrar os eventos a seguir, pois foram parados. Presumo que dado 16:00, a campainha tocou. Hed então levantou-se, respirou fundo e fingiu estar mais calmo, mesmo que fosse óbvio que não. Ao abrir a porta, o ânimo deu uma leve subida, quem tocou? Um amigo de colégio. Ambos de início não precisaram mostrar muita simpatia, apenas uma troca simples de ideia já dava para perceber uma energia de anos de amizade. Adentraram, o recém chegado vestia roupas sociais, cabelos lisos bem penteados, um homem mais do que apresentável para a sociedade. Na cozinha estando somente eles, já que Hed tinha em outra oportunidade dispensado os empregados. Encarei o amigo, na qual não demonstrou malicia ou superficialidade igual a gangue anterior. A conversa deles, acompanhada de um bom café, foi de troca de memórias até a situação atual, incluindo a crise. O amigo no qual se identificou por José, foi o único que acabava por me surpreender. Pois, além de oferecer um bom advogado, lhe deu moradia até que a situação passa-se. Foquei em meu hospedeiro, e pela primeira vez, sinto vibrações positivas, foi como tomar água depois de andar meio deserto sem nenhum suprimento ao ver aquilo.

                 
                                      Um abraço de ambos acontecia ali, finalmente um afeto verdadeiro. O processo foi rápido, depois de ligações, roupas colocadas em malas, itens escolhidos, de carro se dirigiram para Itaim Bibi, se instalando no primeiro e luxuoso flat que encontraram. Agora eu posso acompanhar um desenrolar promissor, um caminho melhor que Hed irá tomar. Subiram com as coisas, em um dos andares mais altos. Assim que a porta abriu-se, vimos uma sala bem espaçosa, grande o suficiente que chegou me espantar, provavelmente porque tudo que vi era pequeno se comparado a essa vida. Então explorando outras salas, cozinha e o quarto, onde havia duas camas, e uma mesa para um computador. Eu ainda estive a observar o ambiente, comparando passado com o futuro, até que o telefone do tal Zé tocou. Imediatamente atendendo, de calmo e sereno pra assustado e um tom levemente irritado. Desligado o celular, explicou para meu hospedeiro que precisaria voltar para a Europa, todavia ia agilizar o processo para que o advogado o contata-se, e assim foi, pegou pouca coisa, deixou as chaves e lá foi o rapaz José cuidar dos negócios da família. Acabo de sentir que Hed queria falar algo, só que foi impedido pelo inconveniente, mesmo que a situação de repente fosse igual a um carrinho de montanha russa, primeiro sobe, sobe até finalmente descer, e comparo neste momento a vida de meu hospedeiro cujo agora encontrava-se conflito por de fato, sentir coisas verdadeiras. Ele então deixou as malas nos cantos, e foi para sala, de lá jogou-se no sofá e imediatamente deitando-se e refletia, assimilando as porradas que recebeu em um único dia. Eu como mero espectador fico sensibilizado, tanto emocionalmente quanto pelo fato de eu ser uma espécie de entidade espiritual, é um incômodo falar, porém estou gostando disso, assim não sou desestabilizado por vibrações, superficialidade e etc. De boêmio ativo, para um dependente de ajuda, situação que iria afetar qualquer um, incluindo eu se tivesse no lugar. Ele visualizava o celular, mas como reparei das últimas vezes, estava sem o ânimo, brilho e a atividade do qual provavelmente acostumou-se. Ficamos minimamente até três horas, então que ele decidiu sair. Acordado para a realidade, indo para o quarto, trocou de roupa, e foi-se, nada muito chamativo ao que vejo se comparado com as anteriores. Cumprimentou algumas pessoas desde nosso caminho saindo do quarto até á saída do flat. Observando a Avenida, iniciou sua marcha a qualquer lugar, ele definitivamente não tinha rumo tanto onde ir quanto na vida, e eu também, pois  não descobri um meio de me contatar com os donos de seus corpos. De início andávamos, ele totalmente fora da realidade, só retornava pelas buzinas de alguns carros que o quase atropelou, ou de entregadores de delivery em suas bicicletas. Provavelmente ficou mais abalado, teorizo eu que estava crendo em que um passeio na rua iria resolver as coisas, bem, aparentemente não. Aproximando-se do primeiro banco, perto de umas lojas, sentou-se. Sacou o celular, dali mais uma vez iria abrindo as redes sociais, deslizando o dedo no facebook, Instagram, whats app e demais coisas. Até ver um story na qual iria ser como uma descarga de um desfilibrador, nossos olhos se deparam com a seguinte imagem;
Camila despida na parte dos peitos, agarrada por homens afros e másculos, um deles servindo um morango na boca dela, o restante deslizava a mão em partes que levavam até a genitália. A seguinte descrição era; “ A vida é curta demais para não aproveitar homens iguais a esses”. As vibrações me atacaram, em dose dupla, e pior que foram duas sensações diferentes, a primeira foi da malícia que a foto ostentava, a segunda, seguida de uma ação imediata na base do ódio. Hed iniciou várias e várias ligações no número de Camilia, profundamente irritado, talvez ele não era tão liberal e desapegado como falava no passado, né. Insistindo, insistindo até que veio uma resposta. Ele não quis saber de rodeios, em tom alto que chamou a atenção aos arredores, enquanto Camilia, no fundo podia-se ouvir um estralo totalmente suspeito, com uma voz ora dengosa, ora gemendo. No fim daquela discussão, a mulher apenas soltou;
‘’-  Não digo mais nada, apenas ouça”.
O que veio a seguir foi um golpe cruel, tanto para mim quanto para ele, a moça depois de dizer, deixou a ligação rolar enquanto gemia mais e mais, e aqueles sons esquisitos aumentaram, ao mesmo tempo que vozes masculinas diziam algo, e neste instante uma vibração mais passiva, contundo gélida o suficiente pra me fazer querer que ele se suicida-se ali mesmo. Dei-me conta ao esquecer do que sinto, o encarando, o rosto derramavas lágrimas, não igual a um bebê recém nascido cujo faz um escândalo, se tratava de um homem evitando chorar, só que infelizmente ele falhou. Depois de desligar a chamada, dado dois minutos, deu meia volta, voltando para o Flat. Não falou com absolutamente ninguém, irritado, triste, isso e mais fazia uma vitamina totalmente tóxica e emocional nele. O acompanhei, ele simplesmente foi para o computador, distrair-se, espero que consiga. Passamos mais de duas horas, e tudo que ele via era gameplays, podcasts, coisas comum pra quem tem menos de 23 anos, concluo. Eis algo no qual tornou aquelas horas as mais complicadas, dado umas sete e meia da noite, de algum modo, ele achava um vídeo de conteúdo suspeito, na qual a descrição dizia explicar a tal “psique feminina”, partindo desse ponto, as vibrações negativas pisaram em mim, pois os criadores de determinado conteúdo explicavam, mas ao invés de “explicar” jogavam seus ódios e rancores, disfarçados de meia verdade. Os vídeos foram de “Como as mulheres realmente são” até “supremacia branca”, e de triste e irritado, Hed virou um ser diferente de quando eu o vi. Pois agora, defendia ideias anti semitas, racistas e com meias verdades científicas, transformava qualquer discurso imoral em algo lógico, mesmo que no fundo ele sabia que não era bem assim. Dias e dias se passaram depois da meia noite, o meu hospedeiro agora era um Neo-Nazi, e não vale apena narrar determinadas coisas, iria ficar chato. Contundo, em uma quinta, o mesmo combinaria de um encontro com amigos de pensamento e filosofia similar. Foram marchar em plena Avenida Paulista, pretendia atacar um role LGBT. E começo daqui, ao lado dos amigos, atravessando ruas e passando perto de pessoas, de todos eles, a minha vibração negativa não parou um minuto sequer de apitar. Os arredores nos encaravam bem feito, agradeço de agora ser invisível, além de um grupo de oito pessoas já ser suspeito, os mesmos declaravam ao que são, pois todos ali possuíam símbolos de resistência branca em braçadeiras. Na nossa frente, um aglomerado era visível, quanto mais aproximação, mais claro era, e então, um grupo LGBT. Pertos, ambos os grupos em cada olhar já repeliam energias de repulsa, o primeiro dos coloridos levantou a voz, e daí iniciou-se uma confusão. Briga, socos, e Hed, simplesmente quando eu vi, já estava a acertar um cruzado direito em uma Drag Queen. Cidadãos fora do tumulto, incrédulos fugiam, outros chamaram a polícia. Até que algo surpreendentemente nós vimos, um dos LGBT ali, bem confusos pra mim, era uma menina, espera, um garoto com roupas afeminadas e cabelos pintados e um chapéu que provavelmente está na moda feminina. Ok, esse... Irei apelida-lo de chapeuzinho, o chapeuzinho respondia aos socos, chutes esquivando-se com muita habilidade, ele barrou um dos chutes, chutando a perna de seu agressor com a esquerda, e usando a direita, aplicou mais um , só que no queixo do adversário, exibindo uma abertura de pernas impressionante. E dali, foi espancando com socos, chutes e esquivas, igual aos filmes do Jack Chan. O movimento “branco” fugiu, sobrando apenas ele e Hed. Suplico, pelo amor de Deus Hed, faz isso contigo não. Teimoso, já depois de minha fala eu tive o desprazer de vê-lo levar uma surra. Tentou um soco no qual recebeu um contra golpe, desviando do alvo e em seguida levando a outra mão cerrada do Chapeuzinho diretamente no nariz. Fomos jogados para trás, ele meio sem movimento, e nariz sagrando, algo que não incomodou ele, mas me fez esperar pelo pior. Mais tentativas fracassadas, até que caiu, recebendo uma enxurrada de socos, e então, assim como ele, eu apaguei.


                                       Sendo eu o primeiro a despertar, estávamos no hospital, maravilha. Não vale apena contar as coisas aqui, então dado uma semana já encontrávamos na casa de José. Hed pareceu estar arrependido, ele ali no sofá, tomando um café, iniciou-se a sua retirada de grupos extremistas, a sorte que não fez nenhum post nas redes sociais, o estrago iria ser mais avassalador que a surra. Ele então aliviado depois de concluído, se deitou. Rosto em péssimo estado, qualquer pessoa iria preferir fingir que teve um fim trágico. Mas mesmo que agora relaxa-se, o mesmo e frio sentimento de vazio existencial, causado pela falta de objetividade na vida voltou bem pior. Era crescente, e dando uma olhada nos story do Whatsapp, viu Camilia na farra, coisa essa que me fez partilhar com o mesmo, uma dor igual uma estaca sendo pressionada no peito, só que ainda que fosse isso, seria melhor, pois alguma reação teria. Dores emocionais são uma das piores coisas, pois o corpo não tem reação, por não ter reação a falta do que fazer é inevitável. Mais horas de reclusão, e eu não pude narrar ou contar mais, até que finalmente, dado meia noite tudo iria mudar. Na cama, quase fechando os olhos, meu hospedeiro assim como eu ficaríamos em alerta, pois a voz de Camilia surgia inesperadamente no canto do corredor, e ela apareceu no quarto. Um sufoco, uma agressividade, trevas me sufocaram ao fita-la. Uma discussão iniciou-se, foi óbvio que ele ao todo, partiu de forma colérica na retórica, ela por outro lado, ostentava um deboche, além de uma certeza que ele estava em suas mãos. O conteúdo em si, tomou uma reviravolta mirabolante. Quando Hed disse que queria transparência, Camilia num estalar de dedos, a vimos envolvida em púrpuras trevas que manifestaram dos pés até a cabeça, revelando uma nova criatura, criatura porque nem mulher é, só se parecia. Pele pálida, bustos inflados, curvas femininas que faz o mais sábio homem perder a razão, e complementando, chifres de bode, cabelos vermelhos curtos e asas draconianas nas costas. De Camilia, uma mulher para uma criatura, e o nome de Endeunussar assim foi nos revelado. A sensual diaba veio com a conversinha de dar algo que ele quisesse, em troca deveria dar a própria energia vital. Esse cara é um imbecil que gosta de se iludir, ao invés de um não, pois estava na cara a arapuca, ele realmente pretendia algo, por favor, um pouco de auto estima e inteligência seja o pedido pelo menos. Eis então o pedido;

   - " Quero ser igual a você, o motivo é simples. Você me usou, e provavelmente usou de sentimentos de outros homens. Isso em julgamento moral, e totalmente humano é errado. Mas você não é humana, logo isso não se aplica. Por outro lado, eu poderia viver como você; me fortalecer apenas com o desejo de outros, e também, me aliviaria muito estar no campo de ilusão que até mesmo mulheres normais se aproveitam, é, esse é o meu pedido!!"


Depois de ouvir isso, intensificação nas piores vibrações aconteceu pra mim. Endeunussar olhou, todavia olhou diretamente pra mim, ela sabia que eu estava ali o tempo todo? Irei fingir que não fui percebido. E tal como foi no estalar de dedos, Hed se tornou afeminado, com um corpo para atrair o que os jovens na linguagem moderna apelidam de “gado”. Após breve explicações, cada um tomou seu rumo. E foi daquele momento em que tudo começou, de alguma forma, Hed ou... Esse demônio, melhor forma de me dirigir a isso. Agora, ele possuía a facilidade de sentir caras desesperados por libido alta e adentrar em sonhos. Uma semana passou, e foi sempre assim, sexo e mais sexo, iludindo e levando pessoas ao pior caminho, mas devo considerar que mesmo sendo péssimo pedir desejos a uma Succubu. Esse em especial foi um dos piores, fazia sexo como escape da realidade, porém com o tempo, Hed percebia que aquilo que o tornava humano, era a busca de algum algo pra preencher. Com o passar do tempo, concluia que sua vida não foi uma das melhores, mesmo materialmente estando melhor que outros, dali iniciou-se pesamentos de arrependimento. No início da segunda semana, a recém Succubu agora quando olhava para si mesma, parecia estar se apagando, mesmo conseguindo vitalidade no que fazia, nada mudou. Até numa sexta 13 por coincidência, Endeunussar foi chamada, só que ao invés dela ir até a minha hospedeira, aconteceu o reverso. Teleportamos pra um vazio, um escuro, medonho. Iniciou-se um dialogo então, até que finalmente, revelado Hed estar sendo apagado. Toda a vitalidade no qual ele roubou, ia pra Endeunussar. O lado colérico surgiu na discussão, cujo foi finalizado pela real demônio;

- Você me deu sua alma em troca de ser igual a mim. Pronto, brincou o suficiente. Só é uma pena ter que me livrar de você, não precisei trabalhar, adeus aos dois.

         

             Gelei em um breve momento, senti o corpo de Hed paralisar nesse momento, e quando a vi, lá fui eu, sugado para as boca dela, as presas enormes davam mais pavor, nada fiz a não ser torcer para que não fosse meu fim. Quando de um breve escuro sai, acordei na enorme planície com a gigante árvore, assustado e batimentos acelerados, me afastei do diário naquele momento.






  N O T AS:

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